sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Entrevista Franquelim: "Nem um cêntimo me sinto responsável pela fraude no BPN"

O novo secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, Franquelim Alves, garantiu na quinta-feira que no currículo que entregou ao Governo constava a sua passagem pelo grupo SLN, que foi dono do BPN.

Em entrevista ao programa ‘De Caras’, da RTP1, Franquelim Alves disse que foi convidado para o cargo pelo ministro da Economia e Emprego, Álvaro Santos Pereira, e que discutiu a sua passagem pela SLN - Sociedade Lusa de Negócios com o governante.
"Aliás, no currículo que fiz questão de entregar ao senhor ministro estava claramente expresso a referência" à SLN, garantiu Franquelim Alves, que foi administrador do grupo para a área não financeira entre Janeiro e Outubro de 2008.
Questionado se tinha dado ordens para tirar a referência à sua passagem pelo grupo, Franquelim Alves disse que não, explicando que foi ouvido no Parlamento sobre a situação do BPN, banco entretanto nacionalizado.
"Não dei ordens desse tipo", afirmou, acrescentando que ficou "surpreendido" pela omissão no currículo que foi publicado.
"Não percebo o que é que aconteceu, é um tema que não consigo explicar, toda a gente sabe que estive lá", adiantou Franquelim Alves.
"A minha interpretação é que terá havido uma preocupação de síntese na preparação do currículo", já que a sua passagem pela SLN teve uma duração de 10 meses em 43 anos de trabalho.
Franquelim Alves disse estar tranquilo sobre a sua passagem na SLN: "Não tenho qualquer tipo de situação a esconder sobre a minha passagem na SLN, não estou acusado de nada, não fui constituído arguido. Sinto-me em condições de desempenhar o cargo" de secretário de Estado.
"Estou perfeitamente tranquilo, cumpri com rigor, exigência e dedicação" as funções de administrador na SLN.
Franquelim Alves manifestou-se "totalmente perplexo" com as críticas sobre a nomeação por ter passado pela SLN, lembrando que "nem todas as pessoas que passaram por lá são responsáveis pelo buraco".
O governante agradeceu o apoio que tem recebido, quer do primeiro-ministro, do ministro da Economia como do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, entre outros, e disse não querer criar problemas ao Governo.
Franquelim Alves admitiu abandonar o cargo, se na sua consciência entender que provoca “perturbação permanente”.
"No momento actual estou perfeitamente tranquilo e, portanto, é nisso que quero estar empenhado".
Questionado se considerava aceitável os portugueses poderem vir a pagar sete mil milhões de euros por causa do BPN, Franquelim Alves disse que "é uma injustiça" e defendeu que a justiça deveria ser rápida em julgar os culpados, considerando que os partidos que o têm atacado deveriam estar mais concentrados "nesta temática".
Franquelim Alves disse que “nem um cêntimo me sinto responsável pela fraude no BPN”, mas antes alguém que ajudou "denunciar uma ilegalidade", tendo "contribuído de forma determinante para denúncia" ao comunicar para o Banco de Portugal.
"Não omiti informação ao Banco de Portugal, informei quando havia evidências. Levou tempo porque só quem viveu o inferno é que era capaz de perceber a dimensão da fraude, da ocultação, da dificuldade de perceber o que estava à nossa frente".
Franquelim Alves disse que se soubesse o que se passavam na SLN não teria aceitado ser administrador do grupo.
"Se soubesse não teria ido para a SLN", afirmou.
O BPN "é uma fraude de proporções gigantescas que durou vários anos", disse.
Em relação ao facto de ter começado a trabalhar aos 16 anos numa empresa que foi a génese da consultora Ernst&Young, informação que também gerou polémica, Franquelim Alves afirmou que há "um novo desporto de caça à imperfeição do currículo".
Sobre a falta de apoio do CDS, o secretário de Estado lembrou que o partido também faz parte do Governo.

http://www.noticiasaominuto.com/economia/43904/franquelim-nem-um-c%C3%AAntimo-me-sinto-respons%C3%A1vel-pela-fraude-no-bpn#.URTtQ_I3Rdg

 
 
 

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